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sexta-feira, 3 de maio de 2019

CAMINHO DOS 88 TEMPLOS - segundo dia do 3 ao 6

 
              Vou primeiramente falar sobre as divindades do budismo Shingon. No Japão, o Buda é denominado Nyorai. Há muitos Budas ou Nyorais no Budismo, cada qual com uma identidade. Nyorai significa "Iluminado". Os Nyorais  mais encontrados nos templos do caminho de Shikoku são:

1- SHAKA NYORAI- É o Buda mais conhecido na Ásia e no mundo. Representa Sakyamuni que, no final do treinamento, conseguiu a iluminação aos 35 anos e se tornou um Buda ou um Nyorai. Também chamado de Buda  Histórico. Nasceu no ano 563 a.C,  era um príncipe chamado de Sidarta Gautama, da casta de guerreiros e governantes.  Seu pai era o rei do clã dos sakyas, daí vem o nome Sakyamuni (o sábio silencioso dos sakyas).
2- YAKUSHI NYORAI - É  o Buda da Cura de doenças. Na mão esquerda ele segura um pote de remédios.
3-AMIDA NYORAI é o Buda  da infinita luz. Quem nele crê pode ir para o paraíso. Ao desencarnar Amida Nyorai virá buscá-lo com 25 divindades (Bosatsu) e levá-lo para a Terra Pura.
4_DAINICHI NYORAI - É o Grande Buda que usa uma coroa na cabeça. Representa o Sakyamuni jovem.



Este é o Grande Buda ou Dainishi Nyorai. As orelhas grandes significam "ouve a todos" e o terceiro olho "olho todos". No local, estava acontecendo uma cerimônia de casamento.

          Além dos Budas ou Nyorais, existem muitas divindades denominadas BODHISATTVAS ou BOSATSU. Bodhi (iluminado)+sattva (ser). São aqueles que encontraram a iluminação, mas estão postergando a sua entrada no Nirvana para ajudar outros a encontrar a salvação. Essas divindades usam colares, brincos, coroas e carregam objetos nas mãos. São divindades da compaixão. A mais famosa divindade é a Kannon. (Sho Kannon Bosatsu, Kokuzo Kannon Bosatsu, Bato Kannon Bosatsu, Monju Kannon Bosatsu...). O Jizo Bosatsu é o guardião da divindade das crianças, mulheres grávidas, dos viajantes e traz fortunas para as pessoas honestas e gentis. O Miroku Bosatsu virá salvar toda a humanidade num mundo futuro. Existem muitos bosatsu e difícil listar todos.

Esta é a imagem da Kannon Bosatsu. Geralmente, usam adornos, brincos, colares, coroas... protegem os Nyorais.

         Também encontraremos imagens um pouco assustadoras, com expressões faciais ferozes para afastar os espíritos malignos. São os MYO-O que representam os Reis da Luz. Ás vezes tem múltiplos braços e cabeças, envolvidos em chamas e portando espadas ou armas. A divindade de proteção mais venerada é o FUDO MYO-O.


       Alem do Myo-o, existem os TENBU ou DEVA, são divindades hindus, seres celestiais como: dragões, homens pássaros Karura e com cabeça de elefante Kankiten. São os guardiões que ficam na entrada do templo, observando quem entra. Protegem os Nyorais e Bosatsus.

Tudo isso foi para poder falar sobre os templos, uma vez que cada templo principal venera uma imagem de Nyorai (Buda) e ou Bosatsu (divindades). No segundo templo, o Kobo Daishi está sempre presente.
            No segundo dia de caminhada, percorremos 13 km. Uma caminhada de nível médio, visitando o templo 3,4,5 e 6.

O dia amanheceu chuvoso, mas não impediu a caminhada,  O chapéu,  por sorte tem um plastico para cobri-lo e proteger da chuva.

Chegando no portal do templo de número 4. Templo Dainishiji. Este templo foi fundado por Kukai, que esculpiu uma imagem do Dainishi Nyorai (Grande Buda)


Do templo principal atravessamos um corredor para chegar ao templo do Kobo Daishi.

O corredor tem 33 estátuas da divindade Kannon

(Deusa da misericórdia e compaixão)

Seguimos para o templo de número 5. TEMPLO JIZOJI
Neste templo o altar principal é ocupado pelo Jizo Bosatsu. Guardião das divindades protetoras das crianças, mulheres grávidas, viajantes.

Jizo Bosatsu


Na parte interna do santuário há 200 imagens dos discípulos de Buda que descobriram o Nirvana.
Altar de Kobo Daishi

Estatua do monge Kukai

Não sei dizer se esta é a árvore que recebeu uma flechada que era destinada a Kukai.




Daqui seguimos para o templo de número 6- TEMPLO ANRAKUJI
Ficamos hospedados neste templo, onde o povo usava águas termais para curar enfermidades. Neste local, Kukai esculpiu a imagem do YAKUSHI NYORAI (o Buda da Cura).

Portal do Templo 6- ANRAKUJI

Pagode do templo (onde se guarda relíquias relacionadas ao Buda)

Água para fazer a purificação

Templo principal do YAKUSHI NYORAI

Entrada da pousada. O banho de onsen é maravilhoso. A refeição deliciosa no jantar e no café da manhã, que na verdade é um almoço completo, muito bonita a apresentação.


Achei muito lindo este Pagode de dois andares.

No meio do caminho havia muitos pés dessa laranjinha chamada de KINKAN, muito docinha. Lembrei do caminho de Santiago de Compostela, onde comia muitas cerejas, apanhadas do pé.

A árvore carregadinha de laranjinhas.

Um pouco longa esta postagem, mas espero que tenham gostado. Eu postei tudo que achei interessante para esclarecer. Eu confesso que não entendia direito e fazia muita confusão. Tenho muitas dúvidas ainda, que espero entender até o final do trabalho.




domingo, 28 de abril de 2019

CHEGADA EM TOKUSHIMA E O INÍCIO DO CAMINHO DE SHIKOKU (templo 1 ao 3)



                         Descemos no aeroporto de Osaka após uma longa viagem, São Paulo- Dubai-Osaka. De Osaka a Tokushima, que é uma prefeitura da Ilha de Shikoku, seguimos de ônibus.
                         Chegamos já quase ao anoitecer, cansados e ansiosos. Chegando na hospedaria, tiramos a bota  na entrada e trocamos por um chinelo (não há pé direito ou esquerdo). Recebemos o número do quarto e subimos para nos prepararmos para o banho de ONSEN. No quarto só havia um banheiro com vaso sanitário e uma pia. O banho é público, já vou explicar.
Em todas as hospedarias e residências, não entramos calçados.  Na entrada, sempre há chinelos para uso interno.
No quarto, nos despimos, colocamos um yukata, que é um kimono de algodão, que você pode transitar dentro da hospedaria. Pegamos uma toalhinha que é um pouco menor que a de rosto e uma toalha de banho. Descemos no térreo, banho masculino separado do feminino. Na ante-sala, deixamos nosso yukata, chinelos e toalha de banho num cesto e entramos na sala de banho. 
Há vários banquinhos e bacias, um ao lado do outro, frente as torneiras e chuveirinho. Escolhi um banquinho, sentei, enchi a bacia de água quente, tomei banho usando a toalhinha com sabonete liquido. Lavei os cabelos e coloquei a toalhinha na cabeça, fui fazendo do jeito que elas faziam. A princípio achei estranho, todas nuas, depois nos habituamos. Entrei na piscina de águas termais (Onsen) e lá fiquei uns quinze minutos relaxando. Confesso que é maravilhoso. Nessa ilha, há vários onsens, com águas provenientes de aquecimento vulcânico. Jantamos, pegamos nossos paramentos e fomos dormir, para iniciar a jornada no dia seguinte.

Assim paramentada, iniciei o caminho. No primeiro dia, fizemos o templo de 1 ao 3, caminhando aproximadamente 10km.

A avenida da Hospedaria é muito arborizada e tem muitas lanternas.

Tori xintoísta que separa o mundo que vivemos do mundo divino. Fizemos a reverência para adentrarmos e assim começamos.

Chegada ao portal do primeiro templo RYOZENJI. Foi fundado pelo monge Gyoki. Neste local, Kukai fez um ritual para o povo que tinha sofrido com desastres naturais e epidemias.  

Na entrada um guardião de cada lado e observem o simbolo da suástica do amor e compaixão.

Templo principal onde rezamos e deixamos o nosso pedido, após acender a vela e os três incensos.
Pagode budista. Tem a mesma função das estupas encontradas em outros templos de outros países (Indonésia, Tailândia...etc.). Ela guarda relíquias do Buda.

Dentro do templo principal sempre há uma  estátua do Buda (Shaka Nyorai)

Divindades do Budismo

Chegando ao templo de número dois, GOKURAKUJI.

Deixamos o bastão e nos purificamos.

As mulheres aqui vêm para pedir um bom parto.


Subindo para o templo principal. Neste templo Kukai esculpiu a divindade principal Amida Nyorai (Deus da Luz)

Esta árvore de cedro
milenar é a árvore da longevidade.

Segurando as cordas podemos conseguir mais tempo de vida.

Seguindo para o terceiro templo, KONSENJI


Neste templo, Kukai cavou um poço para a população, Konsen (poço dourado) que deu o nome ao templo.




Templo principal (Shaka Nyorai)

Altar do templo Kobo Daishi.


Este é o poço cavado por Kukai com o seu bastão. Dizem que quem olhar para a água e ver seu rosto refletido, pode viver até aos 92 anos. Porém, se não vir, irá morrer dentro de 3 anos.

Ainda bem que vimos nossos rostos refletidos.


Saindo em direção a hospedaria, passando por vilarejos floridos.

As flores do caminho.
Na segunda hospedaria, não havia banho. Pegamos nossas roupas e de carro fomos transportados até o Onsen público. Após o delicioso banho, voltamos para o jantar e descansar.





quinta-feira, 25 de abril de 2019

TEMPLOS BUDISTAS, SANTUÁRIOS E REGRAS A SEGUIR




           Antes de discursar sobre o caminho propriamente dito, vou escrever algumas  características dos templos budistas e dos santuários.  Você sabe diferenciar? Eu não sabia....
           A entrada do templo budista é sempre  um portal,  onde de cada lado fica a imagem dos guardiões. Antes de entrar, fazer uma reverência em sinal de respeito e humildade.
           A entrada do santuário xintoísta é o Tori. Um portal vermelho, em frente o qual se faz       reverência. Esse portal separa o mundo dos seres humanos do mundo das divindades, mundo humano para o mundo sagrado. Normalmente, é feito em madeira. Mas, há tori de concreto ou Madeira sem pintura. A palavra Tori significa: morada dos pássaros.

Portal de entrada do templo Budista. De cada lado, um guardião do templo. Um peregrino fazendo reverência para entrar.

Na saída do portal, há sandálias de palha, do tipo que eram usadas pelos peregrinos no  início.  Significa bons pés para a peregrinação.

O Tori do santuário xintoísta é um símbolo japonês. A religião é originariamente japonesa. O mais encontrado tem esse aspecto. Duas colunas verticais e duas horizontais. Pode ser de madeira ou de concreto.Separa o mundo dos homens e o mundo dos deuses.
Pode ser curvado no alto.

Este santuário tem mil portais em menor tamanho.

Tori  flutuante do Itsukushima Shrine situado na ilha de Miyajima. Ele só está apoiado no fundo. Não é fixo.




O mesmo portal, quando a maré recua. A cada 20 anos as madeiras são trocadas.
Tori de concreto.



           Passando pelo portal, nos templos budistas, sempre há um lavabo com água corrente, recipientes com cabo longo, onde se faz a purificação do corpo. Primeiro pegar a água, lavar a mão esquerda, depois a direita, depois colocar a água na mão esquerda e lavar a boca, cuspir. O restante da água descartar sobre o cabo e depositar novamente no local.


purificando o corpo, antes de chegar no templo


       A seguir se tiver a torre com o sino, tocar sinalizando a sua visita.  Não dá boa sorte tocar o sino ao sair.  No santuário xintoísta não é sempre que tem.

          O templo budista guarda, no templo principal, imagens do Buda ou de outras divindades.
Ao lado sempre há o templo do Kobo Daishi. Tanto no templo principal, como no do Kobo Daishi, acendemos a vela, acendemos três  incensos, colocamos a doação (5 yen) que é o da sorte ou o quanto desejar, juntamos as mãos, rezamos ou recitamos o sutra do coração e fazemos o pedido. Colocamos a papeleta com o pedido na caixa dos cartões e fazemos a reverência agradecendo.
      Na saída, ao passar pelo portal fazemos a reverência novamente.
      Um símbolo intrigante nos templos budistas são as suásticas. Nada a ver com o nazismo.
      Esse símbolo é um dos mais antigos, data de mais de 5 mil anos. As grandes civilizações da história usaram esse símbolo: os maias, celtas, judeus, cristãos, gregos, romanos, Índia, Ásia  e na Europa.  A palavra suástica vem do sânscrito savstika, que significa BEM ESTAR.
A suástica budista chama-se manji e significa: harmonia, equilíbrio, eternidade e boa sorte.
Quando gira para esquerda, representa: amor e misericórdia. Este é o mais usado.
Quando gira para a direita representa: força e inteligencia.

Procure o símbolo no incensário. Este é a suástica  do amor e misericórdia.



Espero que tenha gostado de ler. Se tiver interesse, apesar de não ter postado sobre os templos ainda, deixo o link da empresa que nos proporcionou esta linda viagem:







terça-feira, 23 de abril de 2019

CAMINHO DOS 88 TEMPLOS DE SHIKOKU - JAPÃO


            Após ter feito o Caminho de Santiago de Compostela em 2011, interessei-me por outros longos caminhos, e fiquei sabendo do Caminho dos 88 templos. Acabei de retornar do Japão, e encantada com a experiência, voltei a postar no blog.
            Shikoku é uma ilha situada no sudeste da ilha de Kyushu. É a menos povoada e é dividida em 4 prefeituras: Tokushima, Kagawa, Ehime e Kochi. Ao redor da Ilha estão situados os 88 templos sagrados, quais percorridos a pé, dá aproximadamente 1.400 km.
            Segundo a crença, é o caminho que foi percorrido pelo monge Kukai (Kobo Daishi), o patriarca que difundiu o Budismo Shingon no Japão e onde ele conseguiu a iluminaçao, no século IX.

            Kukai (Kobo Daishi) nasceu em 774 na cidade de Zentsuji, na prefeitura de Kagawa, onde está localizado o templo 75. Segundo a lenda, a sua mãe ficou grávida depois que ela teve um sonho com um sábio indiano. Seu pai era governador da província. Não se sabe muito sobre a sua infância, mas há uma foto, na qual mostra um menino se jogando do alto da montanha e uma deusa o salvando. Segundo nossa guia turística, esse menino era Kukai aos 8 anos, que se jogou dizendo que se fosse para ele seguir o caminho do monastério, ele se seria salvo. E ele se salvou.
            Aos quinze anos ele foi para a capital, com o tio. Aos 18 ingressou na Universidade Nacional, onde o sistema educacional era o tradicional chinês de Confucio. Aos vinte anos, entrou para o sacerdócio. Como não conseguiu encontrar alguém no Japão que lhe explicasse certas partes do sutra, ele foi para China. Após quatro meses da sua chegada, foi aceito como aluno do mestre do budismo esotérico Hui-Kuo. Em oito meses, ele aprendeu  a teoria e a prática budista esotérica. Aos 39 anos,  foi escolhido como sucessor do monge, recebendo o nome de Henjo Kongo (Esplendor Adamantino Universal). No mesmo mês, o mestre disse: você recebeu tudo o que eu tinha para transmitir, agora volte a sua terra e divulgue esses ensinamentos para aumentar a felicidade do povo e promover a paz na terra.
          Além de ensinar e difundir o budismo Shingon, ele fundou a primeira escola publica do Japão. Dominava a caligrafia, pintura e escultura. Inventou a escrita silábica Kana, descobriu as águas termais, instruiu as pessoas no uso do carvão e construções de barragens, pontes e estradas. 
           O caminho dos templos é o caminho por ele percorrido, na natureza, nas montanhas, nos templos. Em  todos os lugares, há uma marca da sua passagem.
            No dia 15 de março de 835 ele chamou os seus discípulos e anunciou a sua passagem no dia 21 do mesmo mês. Então, depois de purificar o corpo, vestindo roupas limpas, assumiu a posição de lótus. Colocou as mãos em mudra (gesto ritual) simbolizando Dainichi Nyorai, cantou o mantra e entrou em meditação de Maitreya. Assim permaneceu até o dia 21, quando entrou em samadhi eterno.
             Fazer o caminho é uma forma de conseguir um autoconhecimento, reflexão, sair da rotina, ir em busca de religiosidade, buscar saúde, pedir cura, pedir pelos antepassados, sentir o místico e a energia do caminho percorrido pelo mestre, acumulando experiências significativas, renovando a espiritualidade e crescimento pessoal.

            Para fazer o caminho, alguns ítens do vestuário são essenciais, o jaleco branco (Hakui), bastão, chapéu cônico, livro de carimbos, bolsa para transportar velas, incensos, isqueiro, bloco de cartões votivos - Osamefuda (papel onde se escreve o nome,endereço, idade e o pedido) e o livro. É uma forma ser reconhecido e recebido como peregrino. 
 
Os peregrinos são muito respeitados pela população local. As pessoas cumprimentam, desejam boa caminhada. Alguns oferecem balas, presentes, e até dinheiro. Uma forma de retribuir, é entregar uma papeleta (osamefuda),com seus dados. Ficam muito felizes.
O grupo era formado por pessoas acima dos cinquenta anos e muito experimentes em longas caminhadas.
Alguns trechos foram bastante difíceis, com longas caminhadas nas montanhas.

OBS; continuem me seguindo. Se gostou ou quiser comentar, vou adorar.
Se tiver interesse acesse: www.caminhosecaminhadas.tur.br